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Essa Gente, de Chico Buarque



O romance "Essa gente", lançado por Chico Buarque em novembro de 2019, é uma tragicomédia urbana que funciona como um retrato ácido e desolador da decadência moral, econômica e intelectual da elite carioca no final da década de 2010.

Sinopse e Enredo

• O Protagonista: A história acompanha Manuel Duarte, um escritor decadente que vive no tradicional bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

• Crise Criativa e Financeira: Duarte trava para escrever seu novo livro, vive endividado, depende de empréstimos, da ajuda de ex-mulheres (como Maria Clara e Rosane) e lida com um bloqueio criativo severo.

• Estrutura Temporal: A narrativa é composta em formato de diário e anotações datadas entre dezembro de 2016 e setembro de 2019, mesclando o cotidiano caótico do protagonista com o colapso político e social do Brasil contemporâneo.

• Polifonia e Cartas: A voz de Duarte é frequentemente entrecortada ou contaminada por cartas, bilhetes e intrigas de outros personagens — como suas ex-esposas e uma vizinha autoritária que tenta expulsá-lo do prédio.

Principais Temas e Análise Crítica

• A Desconexão da Elite: Duarte representa a burguesia tradicional falida, anestesiada e alheia à realidade. Enquanto a violência urbana, a repressão policial e a ascensão de uma "nova elite" agressiva e armamentista (simbolizada por figuras ligadas ao agronegócio ou ao poder) tomam conta do cenário, o protagonista permanece preso a seus dramas narcisistas e pequeninos.

• A Superficialidade como Estilo: A escrita de Chico Buarque é propositalmente fluida, fragmentada e espelhos da própria superficialidade de Duarte. O autor utiliza um tom irônico para expor a apatia emocional e a boçalidade intelectual de uma classe média alta que tenta (de forma brega) mimetizar padrões estrangeiros.

• O Colapso do Rio de Janeiro: A cidade deixa de ser apenas o cenário pitoresco das velhas crônicas para se tornar um espaço hostil, rachado por fossos sociais intransponíveis e marcado pela ruína institucional (com sátiras veladas ao contexto político da época, incluindo figuras do poder judiciário e do governo estadual).

• A Estrutura Metaficional: O livro brinca com a própria forma: a frase de abertura ("Rio 30 de novembro 2018 meu caro blá blá blá") e a frase de encerramento ("sepultamento do escritor") vêm estampadas na capa e na contracapa, fechando o cerco em torno do destino anunciado do protagonista.

Balanço Crítico

• Pontos Fortes: A habilidade ímpar de Chico Buarque em capturar a linguagem do presente, o tom cômico-trágico das relações afetivas e a crônica de costumes de uma sociedade em decomposição.

• Pontos Frágeis: Para parte da crítica e dos leitores, a obra soa menos incisiva do que romances anteriores do autor (como Estorvo ou Leite Derramado), apoiando-se em clichês narrativos e em um distanciamento do protagonista que às vezes torna a leitura fria ou previsível.


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texto e pesquisa do Gemini

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